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As flores da Páscoa

Há uns dias atrás, fui dar um passeio até às minhas origens, o prazer de reencontrar velhos lugares, as pessoas há muito que desapareceram permanecendo apenas dentro do peito e pouco mais… mas as pedras estão lá, as nossas raízes continuam intactas, olhar para os miúdos e tentar perceber de que família são se serão ou não filhos de algum primo afastado, torna-se um exercício inglório apenas restando enfim, caminhar pelos caminhos íngremes de forma quase anónimo não fora o acaso de ter encontrado a Dª Glórinha que de longe me reconheceu como o menino António filho da Maria… depois de lhe contar as novas da Maria propus-me continuar, mas tal só foi possível após lhe prometer que antes de ir embora passaria lá por casa para levar um garrafãozinho que dizia ser muito bom e o pãozinho que eu tanto gosto de broa de milho feita em casa.
Voltei ao passeio, esquecendo rapidamente o encontro, procurei no bolso uns óculos sol escuros de preferência e partir na peregrinação aos locais sagrados, sentir a frescura da manhã, o cantar das aves que alegremente me acompanharam naquela alegre caminhada, até o toque do martelo do ferreiro há muito se calou me pareceu de repente ouvir ao voltar numa vereda, permanecia bem audível dentro da minha cabeça aquele som batendo na bigorna com o som se prolongando até nova batida, afinal era apenas ilusão. Parti novamente á descoberta pelos campos, por entre pinheiros, penedos e através dos muitos carreiros de cabras, descer e voltar subir até ao ponto mais alto, desta vez sem ver viva alma e subir ao velhinho Castelo que lá permanece como símbolo de resistência encerrando lendas maravilhosas que minha avó me contara, à lareira à luz do candeeiro de petróleo, ainda não havia naquele tempo luz eléctrica, sentado no preguiceiro as ouvia embevecido e muito admirado com as histórias das moiras encantadas que lá permaneciam ainda.
Do Castelo poder olhar em redor e ver que muito pouco mudou, apesar deste mundo se encontrar em constantes alterações é muito bom sentir que o nosso canto permanece quase que parado no tempo. Olhar lá de cima e reconhecer os cantos mais longínquos e ver até onde a vista alcança até se perder para lá dos montes.
Com a máquina fotográfica ao peito para poder registar, não resisti a fazer algumas fotos, que hoje resolvi partilhar com todos vocês. De todas as fotografias as Glicínias, despertaram em mim um turbilhão de emoções que me trouxeram sensações maravilhosas, lembranças esquecidas, que de repente me vieram à cabeça quando ao voltar da esquina me fui deparando com elas, singelas mas muito belas estes flores, dependuradas nas sebes, nos muros dos caminhos, um
pouco por todo o lado espalhando magia e encanto,
e foi sem surpresa que acabei sendo assaltado pelas lembranças daquele lugar maravilhoso onde
outrora corri atrás de sonhos e aventuras, e me devolveram pessoas e tempo há muito esquecidas. O cheiro da terra, mas foi sobretudo as fragrâncias destas flores que fizeram despertar esses sentimentos, aquelas recordações que moram no fundo da nossa memória e que despertaram de forma quase inconsciente, sentindo o aroma da saudade, da aldeia natal, da “nossa” terra, num colorido exuberante e único.
Vêm tudo à cabeça as memórias da infância, quando era um menino e ia passar as férias da Pascoa à casa da minha avó a Celorico de Basto, ao ver tão bela explosão de cor e de vida não quis deixar de partilhar isso com todos vocês. Para mim estas belas flores nunca serão Glicínias onde ser sempre as minhas “flores da Pascoa”.

António Gallobar

6 comentários:

Francisco disse...

António.
Continue sempre a chamar as suas flores de "flores da páscoa"...não mude!
Uma viagem às origens, como diz uma propaganda de cartão de crédito, "Não Tem Preço!". Revisitamos nosso passado com alegria e com uma pontinha de saudade, e certos de que ali estavam as bases da nossa "construção".
Um abraço.

O Profeta disse...

Terras, mares, o voo de uma gaivota
O aroma suave de camélia singela
Uma folha de incenso solta do ramo
Um espelho que te outorga a mais bela

Cabelos soltos na brisa
As últimas gotas de um aguaceiro
Um morno Sol de sorriso atrevido
Um solto beijo procura ser o primeiro…



Um fabuloso fim de semana

Abraço

Efigênia Coutinho disse...

as histórias das moiras encantadas que lá permaneciam ainda.

Hoje fiquei deslumbrada com sua postagem, onde conta a história com imagens, que passeio soberbo pude desfrutar em seu Blog, meus cumprimentos,
desejando a você uma:

FELIZ PÁSCOA 2009

Efigênia Coutinho

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Que imagens lindas e seu texto falando das suas origens ficou perfeito.

Maravilhoso final de semana, António.

Rebeca

-

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

António,

Você é um querido, que me deixou comovida com seu versinho que diz tudo de amor.

Como agradecer, hein?

Só mesmo dizendo muito obrigada pelo carinho.

Você é um amor!

Rebeca

-

Alvaro Oliveira disse...

É sempre bom recordar
e reviver tempos de outrora nos locais das nossas origens.
Uma bela descrição acompanhada
de bonitas imagens.

As minhas saudações amigas.

Um abraço

Alvaro Oliveira