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Sob a tua sombra ao entardecer, 

descansam corpos cansados




Anónima tudo vês tudo observas
ufana assistes à vida (quiçá) exagerada
abrigas aves, refugio de namorados
às promessas de amor, que dão em nada

Altiva e bela sabes que hás-de morrer em pé

calada e muda resistindo a ventos agitados
o corpo está aqui, a mente noutro lado
crer num novo dia sem sonhos adiados


Garbosa e forte balanças teus braços
faz de conta que não ouves, nada vês
acredita no que dizem por uma vez


Sob a tua sombra e aconchego,                                           
descansam (os tais) corpos cansados                                  
viver eternamente, esquecer males passados.



 António Gallobar

É tempo 

As horas passam (lentamente)
mantendo-me acordado
neste sonho, neste tempo
vendo o sol que se vai
nesta vida que corre (fria-quente) 

envolto na brisa suave (do teu mar)
(brusca-mansa), meiga
impetuosa, passa breve?
e leva o tempo
arrastado pela ave.

risca o céu dos meus sonhos
dos meus beijos, gritos e risos,
choros (e duvidas) do meu eu
do que pensamos ser e não somos 
passa, adiante… (num instante) 

é tempo de seguir em frente
essa duvida insiste ou persiste. 
(Esquece) ela amarra a vida
Prende a alma que não voa
Faz com que avancemos presos ao passado 


Deixar um rasto (uma esteira),
qual ancora presa a nada.
esgota o tempo, esgota a vida (por vir)
chegou a hora e ainda hesita
entre o ficar ou partir 


Ainda há duvidas? 
duvidas e mais duvidas
Levanta ancora,
sonha alto, respira fundo e avança
elas irão sempre existir



António Gallobar

,,,Deixar que a noite caia inteira num torpor

que será de mim alma descrente
dou por mim pensando que perdi o teu amor
E no que devia ter feito de diferente...


A ausência

A ausência...

Acordei atordoado, sem rumo na noite fria
senti um desconforto na alma, ingratidão
a porta aberta esperando quem disse que vinha
e me deixou na mais completa solidão

De soslaio acordo lentamente os sentidos
a ver a sombra que sobre mim se esbate.
Desperto alvoraçado, qual açoite
que me faz bater o peito a rebate...




Qual borboleta…

Dou comigo sentado numa pedra, perdido neste mundo
Olhando há minha volta alheio, indiferente a tudo
Vejo a vida que passou por este corpo, qual borboleta
Num voo irregular ziguezagueante e mudo

Levantei um braço, como que a dizer, vai-te embora!
Vida que me deixaste, qual sombra de mim a vegetar
O vento frio agreste me acorda e me desperta
Do torpor em que caí, neste eterno arrastar

Gritei bem alto, mas escuto apenas o meu eco
Pude então sentir como é a solidão de muita gente
Quando vê a vida lhe fugir ou a razão nos mente

Respiro fundo, tentando ver um pouco mais claro
Ver se encontro a borboleta que me foge desde então
Não posso crer, ela acabou de pousar em minha mão.

António Gallobar

Pago com lágrimas o preço combinado

Sinto falta de ti, do que foste meu amor
não sei se me deixe adormecer
Cair num voraz, efémero e ilusório torpor
acordo a cada instante, me faz enlouquecer

No meio do medo, dessa tempestade sem te ver
mora o receio que a tua porta cerrada não se abra
fico vigilante, segurando a luz até amanhecer
para que o teu sorriso não tropece em nada

E velando assim a tua noite, o sol irá surgir resplandescente
e eu mesmo triste, manter-me-ei acordado
Nada dizes nem precisas, 
pago com lágrimas o preço combinado

Contarei as onda que chegam à minha praia
cada gesto de agrado teu me fará viver
tudo o resto pouco monta
vivo lutando para que possa acontecer


Maio 2011
António Gallobar

O que pensamos ser


Envolto na brisa suave

mansa, meiga impetuosa
passa o tempo arrastado 
riscando o céu pelo voo da ave

Marca no céu dos meus sonhos

dos meus beijos e loucuras
choros e gritos do meu eu
do que pensamos ser e não somos



Na Curva da Estrada

Esperei que voltasses
Na curva da estrada
No leito vazio
no meio do nada

Era já tarde
e a chuva caía
e tu que não vinhas
minha alma sofria

Mas, quando então
algo aconteceu
um raio de luz
na noite de breu

eras finalmente tu
no teu rosto um sorriso lindo
que se abria para mim
apertei-te nos meus braços sorrindo

Afinal valeu a pena esperar
na curva da vida
acabei por te ver
acabei por te encontrar 

Ócaso?

Ócaso


Um dia partirei antes do sol se por,
sem pressa, abrirei as minhas asas
e voarei livre...

Nada me prende
nada me fará falta
partirei rico, mas sem bagagem
nada me fará falta
levarei apenas saudades que matam

sim, depois de ti meu amor
pouco importa
sim pouco mais importará

já bebi da ternura dos teus lábios
deste-me a provar a essencia
do que é realmente importante
porquê prolongar a espera


António Gallobar


Procurei-te por aí...



Perdidamente te busco

Tua mão, teu olhar.
Quanto mais perto te sinto
Mais tenho que procurar.

Antonio Gallobar 

Por este vale encantado...

Por este vale encantado
Encontrei o meu amor
De mãos dadas pela vida
Sempre com ar sonhador
Por estas veredas corri
Caminhos velhos trilhei
Ouvindo o canto da poupa
Enternecido fiquei

A cordado e a sonhar
Mão na mão vida fora
passam anos devagar
Sempre te irei encontrar
Ternura dos meus dias,
Companheira dos meus passos
fim dos meus enganos
aqui estou
aqui me encontro

António Gallobar 










Um poema para o meu amor



Alma minha

Deste corpo sôfrego a morrer
A tua ausência é solidão
Tudo é triste sem te ver

Quero e não te tenho
Pressinto que não vens
Continuo á espera
Só ouço risos e desdéns




António Gallobar

Adeus

Adeus

Como é dolorosa a partida
Sem saber quando voltar
Que triste vai ser esta vida
Depois da cruel despedida
Deixa-me teu corpo apertar

Seria bom sorrir
Neste momento de dor
Não sei se tornarei a vir
Mas agora tenho de partir
Adeus até sempre amor

Sê forte agora querida
Dá-me alento pró futuro
porque depois da partida
Serás o Norte da minha vida
Quando me sentir inseguro

Triste e suave ilusão
Vejo nesses olhos teus
Levo-os no coração
Que muda recordação
Deste nosso último adeus
A vida que se foi

Devagar vi a vida que se foi
exangue sem forças resignei
a vida acabou perdendo vigor
uma sombra do que fui, fiquei

Lentamente vi que partes
da minha vida do meu ser
renovar a esperança do que era, para quê?
se jamais te irei ter

E nesta loucura me deito
sonhando na vida que parte
desiludido e desfeito

Mas, ainda sofro, e desespero
ver-te fechar a porta e partir
sem ao menos te dizer quanto te quero



António Gallobar 
ALMA MINHA AQUI ME ENCONTRO

Perdido nesta noite
Nas brumas escondido
Sôfrego e exausto a morrer
Perdido na imensidão
Perdido sem te ver
Abri as minhas asas
Levantei voo e voei…


Já bebi da ternura dos teus beijos
Posso morrer
Pouco importa


António Gallobar 
Perdida no meio da multidão

Perdida na multidão
sua alma alheia
sua alma sofre
óculos escuros
sente-se na prisão
o rosto fechado
esperança adiada
nem um grito
nem um som
tudo vê
nada vê
sabe que é preciso ter força
sente que bateu no fundo
amanhã será um novo dia
com mais animo e alegria
hoje fica calada
amanhã acordará de madrugada
e vai ver o sol nascer…

Antonio Gallobar 
Sinto-te...



Olhando o horizonte
vejo o teu olhar
sinto que estás perto…
tocas-me
sinto-te
meu ego fica confortado
só de pensar que mesmo desse lado
continuas a me ajudar

Antonio Gallobar 
Repartir a lua contigo

Quero sentir-me nesta terra
ouvir-me deste lado
amar-te neste canto
não acordar deste sonho
e viver esta vida
contigo meu amor

Sonhar de novo
ser outra vez namorado
beijar-te neste encanto
sentir-te como suponho
repartir a lua contigo
e viver este belo sonho de amor

António Gallobar 
Eu esperarei...
Como um pescador
que espera o que não vem
descalço na areia fria
junto à agua do teu mar
sinto o teu cheiro o teu aroma
sentindo o mundo em cada olhar

O piar da gaivota me desperta
no voo das ondas que vêm até mim
sento-me na rocha,
descanso o corpo e espero.

Pára o tempo, pára tudo…
o sol esconde-se atrás da nuvem
avança a penumbra dos medos…
e tu não vens?

Que me dizes?
Não ouves o vento os meus gritos e ais!
Apenas silêncios que matam
que magoam, nada mais

Não digas mais nada
a brisa acalmará a minha alma
e atenuará a espera,
podes demorar o que quiseres 
Hoje vou abrir o baile...
Hoje vou abrir o baile…

Olho pelo canto do olho
sinto-me um autentico rei,
vendo-te a meu lado…
levanto a cabeça garboso
embevecido, quase enamorado
vou finalmente ter a honra de abrir o baile
sinto-me lisonjeado como se bailasse em Viena
ao som da mais bela valsa
da mais refinada orquestra,
olho para ti e vejo que tudo faz sentido
que tudo valeu a pena

Dá-me a tua mão e vem comigo bailar
esta noite serás a rainha
o teu brilho a sala vai calar
todos querem, o que não podem ter
Pois tu és minha…
sinto que escolhi a mais bela
cheia de esplendor
para ser o meu amor,
a minha eleita o meu viver

Hoje vou ser o mestre-sala
o meu melhor fato de gala vestir 

Vai sem medo


Leva as minhas mãos,
dou-tas
para construíres o mundo
de sorriso aberto

Sem receio de te perderes
leva o meu sorriso
contigo

Vai viver o teu tempo...
sem perdas de tempo
sem amarras

Dar-te-ei o meu arco-íris
onde guardo
os sonhos mais secretos

leva tudo o que te dei...
vai viver
mesmo que possas cair

Segue por aí,
esse é o teu caminho
mesmo que não seja fácil
vai sem medo!

(Dedico à minha querida neta Matilde...)

E caminharei sem pressa, pé ante pé
por entre urzes e pedras do caminho
seguirei o regato até se transformar em rio
ouvirei piar o mocho ou cantar o estorninho.

Vamos canito anda daí comigo
companheiro de viagem, da vida
anda descobrir o cheiro das flores
que perfumam esta quimera escondida

António Gallobar
PNPG

Um dia pela Terra


Neste dia  quero sentir a brisa fresca
caminhar descalço sobre a erva dos prados
saltar de pedra em pedra, como se fora cabra
voar livre qual pássaro sobre beirais e telhados

Caminhar à beira mar sem  ver lixo
percorrer o trilho da montanha devagar
respirar o oxigénio do arvoredo vasto
sentir que o homem não o irá estragar

Em desvario apenas veem suas tristes vidas
ignorando bom senso, as leis da natureza
polui, não cuida, destrói tudo o que toca

Plantar uma árvore será por ventura o mínimo
cuidar dos animais com amor também
e deixar a terra em paz curar as feridas


António Gallobar
Porto, 22 de Abril 2016

De costas voltadas
Acotovelados pela lida, nada vemos
A vida espalha-se apressada alheia ao querer
Não há tempo para olhar olhos-nos-olhos
Não existe tempo, como me poderás conhecer...



Vamos vivendo assim assim, tudo achando natural
Sem ver, seguimos sem abrandar passo
Não conhecemos vizinhos, soltamos um olhar de desdém
nada de cumprimentos, sorrisos, muito menos um abraço

E um abraço é tudo quanto este mundo precisa
tristes, perdidos, mergulhados em egoísmo
vivemos tempos de medo, de incerteza e de briga

Criamos dias sombrios, sem termos mão amiga
aumentamos os muros e as pontes derrubamos,
cada um por si, resvalando lentamente no abismo
Antonio Gallobar
2009

Acabaram-se os uis e os ais

É possível a mudança
uma brisa, tudo se irá desvanecer
dizem que falta querer
Para que chegue a esperança


Apesar de coado, o sol ainda é teu
Esquece as repetidas ameaças
Acabaram-se as mordaças
Há tempo, digo-te eu

Há tempo e terás tempo…
Muito, muito pouco tempo,
Hoje, quiçá amanha

Depois será tarde demais
Acabou-se o tempo, o teu tempo
Acabaram-se os uis e os ais.

António Gallobar
2015-10-03

O teu amplexo


Não encontro, não vejo,
arrependido me rendo,
me rendo cordato,
perdido em desejo.

Sim,
foi teu nome que deixei gravado
na areia molhada da praia,
um dia após outro,
sem esmorecer
com pena de mim
com pena de ti
com pena do que afinal perdi.

Sim,
talvez desesperado,
louco e tonto.
apaixonado enfim.
E tu minha rainha
ainda me chamas louco
e tonto...
Mas eu não esqueço...


Não esqueço,
os longos passeios na praia
nem tua mão na minha.

talvez,
eu tenha apenas
saudades...
do ombro amigo,
do amplexo
que foi meu certa vez,
talvez, sim talvez.


Antonio Gallobar
Olhando o "Futuro" donairoso

Olhar perdido no teu mar imenso
intenso e profundo
descanso conformado,
vislumbrando o futuro,
meio perdido,
semi encontrado
encantado com a vida
que vejo e prevejo.
Fecho os olhos e
mergulho no escuro.

Sem olhar para trás
eu sei...
és ainda mais bela
do que imaginei

"Ignorando o rio" e o grande Fernando Pessoa


Hoje reparto convosco este pensamento inspirador do grande Fernando Pessoa, serviu de mote para o ensaio poético que chamei "Ignorando o rio, espero que gostem. Primeiro o mote depois o poema

«Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.»  

Fernando Pessoa






Ignorando o rio

Grito calado, que não chega
revolta latente que não sai
mudo na boca que se fecha
se deixa morrer, sem um ai

E porque sei que a vida é efémera
Adormeço acorrentado
Ignorando o rio

Jamais chegarei à outra margem
algo me agita, se me diz o que fazer.
Cobarde me quedo nessa imagem
Qu'o espelho teima em trazer

E porque sabes bem que a vida é breve
Adormeces acorrentado
Ignorando o rio

Miragem? Acreditas na miragem…
de lutar contracorrente no inverno
se achas que aqui irão facilitar-te a vida
Acorda barco triste, nada é eterno

E porque todos sabem que a vida será breve
Adormecem acorrentados e tristes
lambendo as feridas,  teimando em ignorar o rio

António Gallobar