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"Uma Proposta Irrecusável"

Após concluir a chamada, Ernesto Velasquez sentiu-se intrigado com a sugestão do detective de conversarem no dia seguinte. Reflectiu por um momento e logo percebeu a razão por trás disso. Havia uma diferença de fusos horários de doze horas entre a Nova Zelândia e Paris. Enquanto ali eram quase onze da manhã, em Paris já era praticamente onze da noite. Ernesto reconheceu que havia sido inconveniente ligar tão tarde, algo que não era típico dele.


Na manhã seguinte, Augustin Leconte sentiu-se na obrigação de ligar de volta e falar com a pessoa que lhe ligou na noite anterior. No momento que o seu telemóvel tocou, ele se encontrava numa extensa escadaria rolante duma estação de metro em Paris, porém o ruído ao redor era tão intenso que mal conseguiu decifrar as palavras que lhe eram dirigidas. Apenas conseguiu captar seu próprio nome e pouco mais. Movido pela curiosidade, decidiu ligar de volta, ávido por descobrir a natureza do assunto. Também sabia que na sua profissão, a habilidade de ser um bom ouvinte tinha um valor inestimável.

Ernesto prontamente atendeu o telefone e, sem delongas, após uma breve explicação, expôs o propósito da ligação no dia anterior. O detective pareceu-lhe genuinamente surpreso com o convite que acabara de receber. No entanto, sendo apanhado desprevenido, solicitou algum tempo para reflexão, assegurando a Ernesto Velasquez que lhe daria uma resposta posteriormente.

Agora era a vez de Ernesto surpreender-se com a resposta pouco convincente que acabara daquele homem; talvez por questões familiares não estivesse em condições de sair naquela altura de Paris. Caso contrário, como poderia alguém recusar um emprego dos sonhos como aquele que lhe estava sendo oferecido? No entanto lembrou-se que também ele mesmo havia hesitado quando o falecido Alain Dudley o convidou e ele também lhe pediu algum tempo. Porém ciente de que o convite que estava a fazer ao detective era honroso e prestigiante, não desistiu imediatamente e expressou seu desejo contar com ele em Nova Iorque para se reunir pessoalmente com ele e de preferência antes da inauguração do novo museu. A menção ao Novo museu acendeu uma luz na mente do investigador, acompanhada por uma sinfonia de campainhas.


Texto do livro "O coleccionador de Segredos" de António Gallobar


 


 SEGUE POR AÍ


Não deixes que te tracem o caminho,

mesmo que desconheças a estrada

segue firme até ao tal destino

sem deixar de corrigir a pontaria errada


No teu passo firme, trilha o teu destino

caminhos virgens, caminhos de futuro

talha-o nas rochas da vida, tropeçando

será a tua estrada, o teu porto seguro.


De nada valerá repetidos avisos alheios

o caminho vai-se fazendo, caminhando

caindo, levantado de novo, andando.


Segue por aí, para novas paragens

esse será o teu verdadeiro caminho

te levará a novos lugares ou miragens


António Gallobar


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Sonho meu, esperarei por ti…

 

Com o coração alterado batendo

olhos abertos, até madrugada

debaixo de chuva, ao frio, gelado

Esperei por ti na curva da estrada

 

Sabes bem quem sou e onde estou

no lugar dos sonhos que bem conheces

onde apenas a lua, as ondas e gaivotas vão

na praia deserta que não esqueces

 

sim, e aqui estarei mandando corações

escrevendo mensagens na areia molhada

Esperarei por ti sem esmorecer

na ilha deserta, nesta praia afastada

 

meu coração bateu forte quando te vi

O mesmo frio na barriga, quando me mostrei

Confiei, mas podes partir se não me queres

Jamais te perderei, se já te amei.

 

Sim, tudo faria para te ter de novo

Navego nestas ondas, neste mar gelado

A vida sem ti pouco sentido faz

Porém, esperarei por ti aqui sentado

 

Tu és real, mas duvido que saibas que eu existo

És de outro, do mundo, eu bem sei

Tonto, por momentos pensei que eras tu

Mas na dúvida, a esta praia todos os dias virei




Antonio Gallobar 10/05/2026


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Não culpes o teu destino

Solitário, trilhas o teu caminho
Observando apenas
Destilando pesadas penas
Teimas em deitar as culpas ao destino.
Há momentos que pensamento é só um,
dás contigo a tentar compreender, a magicar
E, se apenas sentes muito medo em errar
Desiste, pois não irás a lado algum.
Acredita com entusiasmo
A vida não está perdida
Errar, faz parte da vida
Desperta desse marasmo
Luta, levanta essa cabeça
tens tempo de ser feliz...
Mesmo se a vida te desdiz
E hoje não te pareça!
Abre de vez
as gelosias da alma
E sorri




António Gallobar

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Não sei quem és!


Procuro-te à noite

mas cama está fria

Meu peito gelado

Minha alma vazia

 

E tu que não vens

já nem sequer me falas

Não sei quem tu és

Certamente me enganas

 

Sim, não sei quem és

Não dás prova de vida

Prometes-me o mundo

Mas, continuo à deriva



António Gallobar
02/05/2026

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A  GUARDIÃ DO TEMPO


O TEU TEMPO CORRE, VORAZ

TAL COMO UM RIO NO INVERNO

CORRE LESTO, IMPARÁVEL

LEMBRANDO QUE NADA É ETERNO


E AQUI ESTOU EU, ZELANDO

OBSERVANDO A TUA VIDA FINITA

VIVES COM PRESSA, INTENSAMENTE

ESQUECES QUE A VIDA É BONITA


NÃO PARAS UM POUCO, APROVEITA,

ESPERA POR MIM, ESTOU AQUI 

NEM REPARAS, ESTOU ZELANDO

GUARDANDO O TEMPO POR TI


Antonio Gallobar


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Saudades do que não tive

 

Alimento a minha alma de poeta

Sonhando no amor que não fizemos

Acordo aflito noite adentro

A pensar no que dissemos

 

Loucura, sim é uma loucura

e assim vamos vivendo esta vida

Daria tudo por ti, com doçura,

Não és loucura, nem quimera perdida

 

E no meio desta incerteza

Um dia ainda hás-de ser

A ave que voa livre

Fazendo meu peito bater


António Gallobar















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ALMAS GÉMEAS

Num repente, tudo pode mudar na nossa vida, que até dado momento era calma e pacata, e transformar-se com uma voracidade tal que, por vezes, podemos não ser capazes de a controlar na totalidade, tal é o ímpeto que se sente repentinamente.

Já deste, porventura, conta de que podes encontrar a tua alma gémea do outro lado do mundo, sem que estejas preparado para tal?

No passado, de forma mais ou menos romantizada, almas como eu — e certamente como tu — lançariam uma garrafa ao oceano com uma mensagem de amor no seu interior, na esperança de que, um dia, alguém lesse as tuas palavras e, quem sabe, viesse ao teu encontro, correndo literalmente o mundo para te encontrar e dizer-te que sonhou contigo a vida inteira, mudando assim a tua vida.

Hoje, os tempos mudaram e, em vez de uma garrafa com uma mensagem, navegamos na internet. E, de repente, encontras a tua “Afrodite” e, acima de tudo, sentes que partilhas os mesmos sentimentos, que ninguém melhor escuta os teus segredos e te compreende.

Sentes que, nesse instante, essa é a pessoa que te faz feliz, mesmo que de forma virtual, mas que preenche o teu coração — alguém a quem gostarias também de pertencer um pouco, nesse mundo desconhecido, mas que te atrai.

Por vezes, não é a sintonia que atrai; pode ser uma atração física imparável que te fará correr atrás de uma quimera, de um sonho sob a forma de uma bela mulher que, de repente, bateu à tua porta e que, sem explicação, te leva a gostar e a desejar ao ponto de te fazer, quiçá, uma loucura.

É bom que te prepares, pois nunca saberás quem lê as tuas mensagens, os teus posts onde expressas os teus mais secretos desejos e delírios, que espalhas no vasto oceano da internet.

Quem sabe se, um dia, o Cupido te ataca e te faz esquecer que não deves pensar duas vezes e viver a paixão intensamente, antes que esmoreça e a tua mente te diga que não vale a pena.

E tal como diz o poeta:
“Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.”
Aproveita o momento — a vida é breve.


Nota: Em cima a imagem publicada foi gerada por AI do chat GPT a quem pedi para fazer uma imagem duma mulher de sonho... foi o que deu!


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FIM DE LINHA...


A Propósito do dia Internacional das Mulheres...



Antonio Gallobar



Conteúdo partilhado com: Público
Liberta-te das amarras e sonha uma vez na vida.

Eis que chegam finalmente os dias de brisa suave, aqueles que passam sem se dar conta, quase anónimos; dias onde falta amor e a deixam insegura quase confundida. Olha a vida ao longe por entre o serviço interminável e apressado da esplanada onde trabalha, sentindo que a vida lhe estava a passar ao lado compulsivamente. Via os sorrisos nos rostos dos outros, quase sempre era assim, vivia sem ter tempo para si... e isso fazia-lhe uma certa confusão; saber não ter tempo para praticamente nada. Seria por distração ou teria sido porque não sentiu ainda o apelo da vida; será que por ventura esqueceu ou desconhece em absoluto como é belo e rico esses estados de alma que a vida por todos chama, ou a quase todos. Ela não tinha bem a certeza disso, via-se metida num centro comercial de sol a sol, entre a cozinha do bar e o serviço da esplanada e para si sabia não ter tempo para quase nada, muito menos parece predisposta para essas coisas de amor ou romances tal como via nas telenovelas antes de adormecer; a sua vida não seria fácil, andando constantemente preocupada, demasiadamente preocupada diria até, com as prestações da casa, com a ATL dos filhos ou com a reforma da mãe que não chegava nunca para ajudar nas contas da casa e da sua vida; para não falar no que recebe pelo trabalho que faz, esse nunca chegava para tudo que precisava, era uma luta constante; isto de ser mulher mas sobretudo uma mãe solteira tem as suas voltas.

Naquele preciso instante longe dali, as andorinhas chegavam à sua aldeia a cada instante aos bandos, ao lugar que ela simplesmente deixou para trás. Chegavam aos magotes prenhes de saudades voando livres, cruzando ziguezagueantes os campos verdes, pelos seus campos verdes que deixou um dia. Por muito que lhe custasse ela ainda não fizera como as andorinhas que regressam sempre, alegrando cada canto cada esquina e se entregam aos prazeres da vida.

Na cidade a nada disto se assiste, assiste-se ao desenrolar constante de pequenos-grandes dramas humanos de quem vê a vida passar-lhe ao lado, ou mede a vida pelo que vem impresso nas revistas cor-de-rosa, e olha para a própria de forma passiva quase indiferente teimando em manter uma atitude contrastante face ao corre-corre do quotidiano sem haver tempo para nada e aí permanecem indiferentes, calados e tristes vegetando numa pressa que os devora, dando a ideia de não quererem acreditar que se pode tentar ainda ser feliz aqui e ter tempo para amar, conseguir criar os filhos conforme se deseja preparando-os para a vida.

Mas o escasso tempo livre que dispõe, vive-o à pressa sobretudo a partir do sol se pôr, depois de cuidar dos filhos e se junta por vezes aos amigos para conviver um pouco ao som de música estridente e com um copo na mão. Onde o amor se confunde na maioria dos casos com sexo. Não há tempo para nada, parece imbuída num vórtice onde tudo é demasiado voraz girando em torno de si mesma, sem haver tempo para romances; não há tempo para se pensar nisso, os filhos por si só asseguram a renovação dos tempos... dos novos tempos que onde vir, onde as pessoas haverão de encontrar tempo para olhar de novo os campos com calma e sobretudo com tempo para olhar o céu e as estrelas deleitando-se com a chegada das andorinhas. Aqui na cidade dela a cidade irá continuar igual a si mesma, sobretudo apressada e voraz, e também por isso, os que por aqui andam se quedam calados e tristes, curvando a cabeça ignorando os ciclos da vida, escondendo-se de forma absorta sob a penumbra do tempo, esse sim corre de forma inexorável fazendo de cada um de nós, meros figurantes, meros espectadores que assistem conformados.

E assistimos indiferentes a tudo, observando mas ignorando o desenrolar da história que vemos à nossa volta, sem sentirmos já sem esperança, como se tivéssemos chegado ao fim da linha e nada mais importasse permanecendo amorfos eternamente.

FIM DA LINHA

Quando nada restar
que não sejas apenas tu
passa água pelo rosto
e acorda para a vida
ganha coragem
faz o que
tem de ser feito.

Não te escuses com outros
não procures desculpas
apenas tu contas
a vida que desperdiças
é apenas a tua
aproveita o tempo
aproveita a maresia
e o chilrear das aves
que não tardarão aí

Abandona a cidade
ela não tem tempo para ti
é urgente ter coragem,
liberta-te hoje mesmo
entrega-te aos teus sonhos
e dança uma valsa
apaixonada com a vida .

António Gallobar 

Saber viver

E sem delongas o sol partirá suavemente,
ocaso mágico, escondendo-se de nós,
dos olhares maldizentes sem voz, 
vem à memória, lembranças num repente.

Nesse instante, as velhas dúvidas regressam. 
Pudéssemos como ele, assim poder partir,
partir,e ter a rara chance de voltar 
pela aurora qual milagre renascer.

Assim deveria ser a nossa vida…
Poder fazer um “reset” e renascer. 
Voltar ao colinho da mãe querida.
Nova oportunidade de viver. 

Para ser feliz e de quem rodeia 
Será preciso evitar erros, aprender. 
Saber viver não custa, 
O que custa é saber viver

31/10/2025
António Gallobar







Voa livre, pensa livre

A vida não é por ventura fácil
mais fácil será desistir, a resistir
no caos, encontrarás o caminho
que te fará de novo sorrir.
Se vives momentos de incerteza
a tua vida, não anda nem desanda
nada conseguirás aí sentado
caminha que a opressão não abranda.
Talvez te sintas perdido
Apesar das dificuldades
acredita, não estás morto
apenas atordoado e ferido
Pensa, sê um homem livre, desperta
voa sem medo vive a tua vida.
Solta as amarras que te amordaçam
a batalha é difícil, mas não perdida!
7 de Outubro de 2023

Dia de Portugal, de Camões e das comunidades Portuguesas

 Portugal eterno, pátria amada


Portugal eterno, pátria amada
De Guterres, Pessoa a Camões
A tua língua se espalha pelo mundo
A tua visão humanista guia corações
A língua Portuguesa é bandeira
Maltratada porém sinal de união
Que liga os povos do mundo
Que partilham a mesma paixão
Portugal que partiste à aventura
Por mares então desconhecidos
És exemplo para as gerações futuras
Porto de abrigo para perseguidos
As cores da bandeira mostram a tua paixão
verde esperança, campos de prosperidade
Vermelho é paixão, é sangue derramado
Das causas que acredita e nossa identidade
E no centro da bandeira, como um sol
o conhecimento, a inovação das descobertas
farol para o mundo, das causas que crês
Esperança e luz para as batalhas incertas.
António Gallobar
10 de Junho de 2021

Por ti morro de Amores

Meu tesouro!

Deambulo meio perdido
pelas ruas estreitas e calçadas
onde me perco de amores
pelas buganvílias nas sacadas
Varandas e varandins
ferro forjado, azulejos
assim é o meu "Porto"
que nunca poupa nos beijos
É de ouro, é de ouro
é de ouro!
é de ouro...
Pedras velhas contam histórias
dos amores das brincadeiras
dos namoricos às escondidas
por detrás das trepadeiras
É tudo ouro
tudo ouro!
Onde até o belo rio
é douro...




António Gallobar
3 de Junho 2021

Sentimentos dispersos
























No teu olhar perdido me sinto
alheio a tudo, sem nada importar
persigo o sonho de te ver
quiçá um dia te encontrar
E nesse sonho me deixo cair
do ir, não ir, ou do ficar
lentamente acordar da letargia
que prende o meu pensar
E nesse sentimento
meio obtuso
me escuso
Acordar devagarinho
dizer não, pra variar
abrir os olhos e voar


António Gallobar
24 de Maio de 2021

Pára tudo

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Pára o tempo, pára tudo…
avança a penumbra dos medos…
e tu que não vens!

Não ouves o vento que passa
os meus suspiros, gritos e ais!
Apenas os silêncios ficam
matam, magoam, nada mais

António Gallobar

Sob a tua sombra ao entardecer, 

descansam corpos cansados




Anónima tudo vês tudo observas
ufana assistes à vida (quiçá) exagerada
abrigas aves, refugio de namorados
às promessas de amor, que dão em nada

Altiva e bela sabes que hás-de morrer em pé

calada e muda resistindo a ventos agitados
o corpo está aqui, a mente noutro lado
crer num novo dia sem sonhos adiados


Garbosa e forte balanças teus braços
faz de conta que não ouves, nada vês
acredita no que dizem por uma vez


Sob a tua sombra e aconchego,                                           
descansam (os tais) corpos cansados                                  
viver eternamente, esquecer males passados.



 António Gallobar