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Espírito livre











Sou um espírito livre que voa sem freio
que atravessa horizontes, terra ou mar
sou o vento que cruza o vale ou a montanha
brisa suave que te embala e faz sonhar


aquele que te agita e diz o não queres ouvir,
e que atormenta quando teimas em tornar
a fazer o que não deves certamente
quando a razão que sabes, prometes ignorar

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António Gallobar
Como te atreves então?

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Como te atreves, raio de luz…
se pensas ser capaz de me iludir
com fantasias e achas que isso me seduz

Como irás iluminar o meu caminho
se não me aqueces, em meu leito
morrerei infeliz e certamente sozinho

Será heresia ou engano eterno
de quem não sabe o que quer da vida
e faz da vida dos outros um inferno

Se não és água fresca no deserto
não serás o encanto dos meus olhos
a ternura que almejo ter por perto

Nada mais interessa, chega de desilusão
A vida muda hoje, a tua indiferença me mata
vai embora mesmo, farto estou de ouvir não…

Sinto próximo o inverno ou a morte
os meus dias jamais serão amargos no futuro
longe de ti não há má escolha, nem má sorte…


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António Gallobar
Cumpre-se o destino
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A terra ingrata não deu o pão que precisas,
pega nas redes e vai o mar é teu, avança
homem valente, o mar bravio espera
afoito a ele se faz, com esperança.
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O medo fica em casa ou na areia da praia
Onde vultos negros gritaram “hoje não vás!”
E depois aí velam ausências e lutos
que a maré cheia da memória, todos os dias traz
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Preces das mulheres com os filhos presos na saia
olhando o mar, perdidas na areia contando as ondas aflitas
vendo que o seu homem teima em não chegar
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...
O pânico de não voltar, enche o peito de revolta
Reconhecendo o risco, mas há bocas e filhos pra criar
Entre medos cumpre-se o destino deste povo em navegar…


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António Gallobar

Coração adolescente

Coração adolescente
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Se não te encaro de frente,
É por pura cobardia
Um dia, talvez um dia
O medo de ouvir o que não quero
E que jamais mereço ouvir
Se é que algum dia te direi
Não sei, não sei…
Não vejo outra razão
Para tanta hesitação
Não sei como, nem porquê
É assim, é mesmo assim
Como facilmente se vê
Coração que tanto palpita
Louco, mais que louco
E é por isso que hesita
Não consigo, não consigo…
Olhar de frente para ti
Vendo-te tão bela
Tão linda, tão distante
Será que falta a coragem,
Talvez, sim talvez

Vejo-te e beijo-te em sonhos
Digo-te quem sou
Em gestos e palavras
Mil e uma vezes ensaiadas
Para que a coragem
não volte a falhar
Vou esperando impaciente
um dia, um mês, um ano
uma eternidade
mas esse dia há-de chegar
o esperado momento
Um dia… talvez um dia
Pegue na tua mão
E te leve nos meus braços
Num tango arrebatador capaz de tudo
Ou então suavemente
Numa valsa sem fim
Rodando pelo salão
Olhando-te nos olhos
Vendo que afinal tens olhos para mim
Vendo os outros salivando
Mas nada terão
E eu garboso e altivo
Finalmente feliz
Sentindo que és minha
A minha rainha,
Nesse baile de emoções
Onde bailam dois corações
Onde mesmo sem falar
acertam o passo
e sonham assim ficar
Sentirás o que diz o coração
Vais sentir o que por ti sinto
E o que realmente sinto,
Ele não mente e eu não minto…
Nada mais conta, nada nem ninguém
Impedirão este amor arrasador
Entretanto espero o momento
Resisto, resisto e resisto…
Sou o rio que corre
Que sabe que encontrará o mar
Por mais que se queira atrasar
Barragens, montes ou vales
Ninguém o irá deter
Será um puro engano
E me engano a mim mesmo sem querer
Ou vou continuar a sonhar?
Tu serás minha, apenas minha
Mera questão de tempo
Nada mais…

Repentinamente tudo parou
Sei que estás aí, sinto mesmo sem te ver
Tremo, tento enganar o coração
Desculpas mais desculpas irei dar
Digo que não é o momento
Mas eu conheço o cheiro os passos
Sinto a tua presença no ar
Faço que não te vi
Escondo o rosto que subitamente corou
Vós embargada será simplesmente emoção,
Diz – lhe o que sentes por ela coração
Estás tão perto e tão longe,
Voltam as dúvidas
Afinal nada sei
Pobre coração que tanto palpita,
Qual adolescente que hesita
Quando vi quem eras, num repente
De repente de repente
A morrer de amor por ti

Finjo, disfarço
Faço que não te vi
Respiro fundo
Vou em frente
E digo para mim baixinho
É hoje, é hoje…
O coração não me mente
É hoje que finalmente te digo
Que nada sem ti, faz sentido
E se há algo em que penso
Algo mais que sinto e espero
É dizer-te quanto amo
Quanto quero
E se depois disso ainda
Não for suficiente
Abre o peito de repente
Mostra o coração
Ele não mente, ele não mente
cala então a boca
Deixa-o falar por ti
Finalmente