Translate translator 翻訳 Переводчик

Número total de visualizações de páginas


Dia da Mãe

3 de Maio (Próximo Domingo)
É obrigatório oferecer-lhe uma flor,
ela vai ficar muito feliz.
Mãe

De tudo o que há no mundo de mais certo
é contigo que eu conto, sempre que a mão me fugir
És um oásis, água fresca no deserto
se a solidão na minha vida teimar em não partir

Só mesmo tu minha mãe, que me carregaste no ventre
Sonhaste-me e imaginaste como eu haveria de ser
me carregas ao colo e me fazes sentir gente
secas as minhas lágrimas, e eu me volto a erguer


Meu Anjo da Guarda, quando o mundo desaba
por mim perdes o sono, por mim velas
o teu beijo acalma angustias e a minha dor acaba

Contigo sei que o futuro me sorri
o teu sorriso acalma as estrelas
querida mãe mil beijos, são poucos para ti.

António Gallobar
Convido todos os amigos deste maravilhoso espaço e que comigo partilham emoções e gostam de cultura, se tiverem tempo passarem pelo meu novo Blogue



Onde poderão encontrar alguns textos meus, assim como o manifesto da Terra/mensagem de Seattle vídeos com documentários designados por Zeitgeist (muito polémicos sobre o onze de Setembro etc).

Existe no blog um link, para a biblioteca Publica do Brasil onde poderão encontrar completamente grátis 199 livros da Literatura Portuguesa e Brasileira, (copiem esse linK pois é fantastico todos estes livros são completamente grátis).

Este espaço foi criado também a pensar nos melhores trabalhos dos meus amigos, para muito breve.

Tudo boas razões, para terem um bom Domingo com muita leitura.

Beijos e abraços para todos


António Gallobar

O professor Rézinhas e o 25 de Abril...







O Professor “Rézinhas” e o 25 de Abril



Ontem reencontrei um meu amigo dos tempos de escola e esse encontro reavivou memórias desses tempos e porque a conversa tinha algo a ver com o próximo feriado nacional acabamos falando sobre o 25 de abril, dando algum sentido à frase “Onde é que estavas no 25 de Abril de 1974?”.

Pergunto à minha memória, onde é que estavas?

Faz trinta e cinco anos, o tempo passa rápido… e por vezes nem sentimos. Tínhamos treze ou catorze anos de idade, quando aconteceu esse dia que mudou as nossas vidas e a de muita gente, depois de tantos e tantos anos de sofrimento de guerras de perseguições políticas finalmente chegara o dia por que tantos esperavam e que iria mudar a face de Portugal aos olhos de todo o mundo, sem se perderem vidas humanas (ou quase…) apenas com uma vontade férrea de alguns para mudar o que parecia imutável há meio século.

Um dia igual a tantos outros, como o de hoje, um belo dia de primavera, lembro por volta das 11h30m da manhã entrou na sala com os cabelos brancos em pé, dirigindo-se à professora que dava a aula de Educação Visual, segredando algo inaudível. Todos naquela turma conhecíamos bem quem era aquele professor que acabara de entrar que com ar grave nos disse para irmos todos para casa, que não haveria mais aulas naquele dia, tinha havido uma revolução.

Excelente, fantástico exclamaram num reboliço na sala a maioria, os mais curiosos acercaram-se dele junto à secretaria onde se sentavam os professores para darem as aulas e foram perguntando o que era isso de uma revolução, enquanto a maioria já corria pelos corredores em grande algazarra, gritando não há aulas, não há aulas.

Voltando-se para os presentes e com voz embargada e visivelmente emocionado apenas nos disse que tinha acabado a “mordaça” acrescentando uns segundos depois, que apartir dali iríamos ser livres… acrescentando com vos baixa e tremula “Se Deus quiser…”

Agitação crescente em redor dos dois professores. A professora de Educação visual mantinha o rosto austero e de grande desagrado perante as explicações do colega aos alunos dizendo que não seria bem assim, visivelmente incomodada com o “à-vontade” com que falávamos com ele e ele connosco principalmente sobre um tema tabu proibidíssimo nos tempos que corriam e não compreendia como era possível que o colega se permitia a essas explicações vaticinando sem o esconder, que ele se iria dar mal e que já tinha idade para ter juízo, pegando na bolsa num rompante abandonou a sala saindo a vociferar, ele pouco incomodado com a colega encolheu os ombros e foi acrescentando naquela aula improvisada sobre a Liberdade, coisa que não sabíamos muito bem o que era.

Mas nós não éramos livres? Questionavam-se alguns de nós em surdina.

- Depois vos explico! A partir de hoje jamais será como até aqui… nasceu um novo dia, uma nova mentalidade que fará com que todos possamos dizer o que sentimos sem medos e receios de irmos parar á prisão.

O velho professor foi dizendo entre outras coisas que, “Liberdade é responsabilidade” e que a “minha Liberdade acaba, quando começa a dos outros”, e que muitos se sacrificaram para que aquele dia finalmente pudesse acontecer.

Foi mais uma grande lição daquele grande mestre que jamais poderei esquecer. Professor de uma disciplina que ninguém gostava, odiada até mas que era na época a cadeira mais fantástica que poderia ter e porquê?

Entre outra coisa que lembro este senhor tinha uma estranha forma de leccionar, ensinava os alunos a copiar mas dizia que, o poderíamos fazer desde que ele não visse, mas nos dias dos pontos ficava normalmente sentado lendo ou preparando a aula seguinte, impondo silêncio para que não nos distraíssemos e copiássemos bem, dizia que enquanto preparávamos as cábulas estávamos a aprender, passávamos horas e horas a fazer “copianços” longos e extensos, usávamos a criatividade, a fama dele era grande o que fazia com que não fosse muito bem visto pelos seus colegas que não achavam grande graça ao método, achávamos aquele professor fantástico e era mesmo! É o único de quem me lembro o nome e foi o único professor que tive com quem aprendi mesmo matemática o resto são conversas.

Com isto do professor Rézinhas, quase esqueci de falar no 25 de Abril e que para haver Liberdade, é preciso quebrar algumas regras e ele quebrou-as e com êxito, ainda o lembro passados todos estes anos, é fantástico. Liberdade com responsabilidade... como ele muito bem dizia!

António Gallobar




O que dizem os meus amigos:

Delirius disse...

Pois é António, a "Liberdade"...., que quererá realmente dizer Liberdade?!...
Penso que a maioria de nós, ou não soube aprender ou não nos souberam ensinar...Que pena
:((A mim, que vivi intensamente o espirito de Abril, faz-me muita pena mesmo!
Fantástico esse teu professor!:-)))
Beijo, amigo.
21 de Abril de 2009 15:56

Pico minha ilha disse...
Não sei onde estava não, também 6 anos, lembrar, como.
Abraço
21 de Abril de 2009 16:00
Deusa Odoyá disse...

Olá meu novo amigo.
vim através do blog do Alvaro Oliveira.
Sua entrda está muito linda.Prabéns...
Realmente meu amigo, não saberei lhe dizer aonde eu estava nessa data, ainda mais passado muito tempo.
A memória as vezes falha.kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Mas foi bom conhecer seu blog,
voltarei amis vezes.
Muita paz , luz e amor em seus caminhos.
Aguardo sua visita ao me cantinho.
Beijinhos doces, meu amigo.
Regina Coeli.
21 de Abril de 2009 17:28

sedemiuqse disse...

Gracias por la visita ahora vengo y traduzco
besos y amorje
21 de Abril de 2009 17:59

Izinha disse...
Encontrei vc no blog do Álvaro e tomei a liberdade de te fazer uma visitinha,
espero q não se importe.sim...
"liberdade com responsabilidade"...é tudo.bjos!
21 de Abril de 2009 18:40

Francisco disse...
António.
Gostaria de fazer uma correção.
O visitante não era o General Salazar,
e sim o Presidente Francisco Craveiro Lopes.
Foi em 1964, ano em que ele morreu e que começou por aqui a Revolução que durou 25 anos.
Outro abraço.
21 de Abril de 2009 20:58

NEGROPOETA disse...

Eu penso que liberdade tem mais haver com poder
(em todos os sentidos, pois se vc pode vc é livre.
Abçs.
21 de Abril de 2009 23:19

CPDL disse...
Excelentes palavras.
Os meus sinceros parabéns.Renato
21 de Abril de 2009 23:29

Ana Martins disse...

Olá,cheguei até aqui através do blog de Alvaro Oliveira.
Mais um 25 de Abril está chegando, mas nas memórias de cada um, (daqueles que o viveram à 35 anos), ficam as recordações, os medos, e a euforia desse dia.Eu por ex. estava na Guiné-Bissau com os meus pais e irmãos, o meu pai era 1ºSargento da Força Aérea Portuguesa, e posso-lhe dizer que foi um dia em que vivemos um verdadeiro pesadelo, felizmente que tudo acabou bem.
Parabéns pelo texto, acaba por ser uma linda homenagem ao seu professor.
Belas recordações!
Beijinhos,
Ana Martins
22 de Abril de 2009 0:06
Francisco disse...
Amigo António.Me desculpa mais uma vez. Entendi o teu texto como referencia a Revolução dos Cravos (25/04/74). A confusão que fiz, foi no email anterior (mandei 2), falando no General Salazar, quando o correto seria o Presidente Craveiro Lopes.
Um abraço.
22 de Abril de 2009 15:13

Caro Amigo António Gallobar,
Muito interessante este post sobre um professor que, já antes do 25 de Abril, praticava de facto a liberdade.Também me aconteceu a mim, pois tive como professor de Contabilidade o Dr. Carlos Carvalhas, naquela altura jovem e com poucos mais anos que os alunos.
A liberdade é uma outra designação para livre arbítrio e só termina quando começa a liberdade do outro. O que deve imperar na prática da liberdade é a ÉTICA.
Um grande abraço para si.
Parabéns pelo texto do post.
Um abraço
José António
22 de Abril de 2009 15:24
Adriana Godoy disse...

Um texto que inspira.
É bom que haja pessoas como ele.
Beijos.
22 de Abril de 2009 19:51

O Profeta disse...

Pois é amigo a tua escrita merece um livro...
Abraço
23 de Abril de 2009 16:07

JC disse...

Obrigado por ter passado no meu blog.
Quanto ao 25 de Abril, nessa altura tabém eu andava no actual 6º ano, a noção que tinhamos do que se passava na altura era muito restrita.Mas que este dia vei abrir a Portugal novas fronteiras e novas mentalidades é verdade.
Concordo inteiramente com a expressão "liberdadecom responsabilidade".
Voltarei
Um abraço
23 de Abril de 2009 18:26

Deus nos deu a escrita para expressarmos o pensamento,que manifesta o sentimento, que é a expressão da alma.
Meus parabéns pelo seu escrito.
Lindo tema,Imagem perfeita!!!
Grata pela visita carinhosa.Beijinho
Glória
Seu cantinho é um mimo.Passo a segui-lo.
23 de Abril de 2009 18:35

António,
Admiro pessoas como o professor Rezinhas.
Admiro mais ainda quem recorda com saudade de pessoas assim.O diferente, faz a diferença!Beijo.
Rebeca-
23 de Abril de 2009 21:25

Super foto:)
23 de Abril de 2009 21:55

Alvaro Oliveira disse...

Olá amigo António.
Antes de mais as minhas desculpasporque por lapso não havia registado como seu seguidor.
Relativamente a este texto,só tive conhecimento do caso, eram 10,00 da manhã e estava já no escritório havia uma hora.
Fiquei algo perplexo e com alguma dúvida relativamente ao futuro.
Quanto à liberdade, 35 anos depois, eu deixo uma interrogação. Será que alguém teve o cuidado deensinar aos portugueses o que era a liberdade?
E que tipo de liberdade foi alcançada?
Não será de reflectir, olhando asituação caótica que o país vive?
Não me alongo mais, pois estou a ocupar-lhe longo espaço.
Um forte abraço, do sempre amigo
Alvaro Oliveira
23 de Abril de 2009 22:17

Maria Emília disse...

Vi o que escreveu sobre a passagem secreta no blog da Dona Poesia e resolvi espreitar.
Ainda não fui ver porque estive a ler a homenagem que fez ao seu professor. De certo o marcou. de forma positiva que, começando por falar na revolução dos cravos acabou por falar da maneira como ele ensinava a liberdade.
Não posso ficar agora a ver os vídeos mas voltarei com tempo para o fazer porque fiquei muito interessada.
Um abraço,
Maria Emília
23 de Abril de 2009 23:00

Flor de Lótus disse...

Bom dia António.
Agradecendo a ilustre visita,deixando o meus carinho registrado no seu blogg.
"O mais importante para o homem é crer em si mesmo. Sem esta confiança em seus recursos, em sua inteligência, em sua energia, ninguém alcança o triunfo a que aspira."
SEMPRE!
BOM DIA.
24 de Abril de 2009 13:16

Bom lembrar este dia!
Boa iniciativa!
Obrigada por deixar sorrisos sábios no Arco-íris!
Eu não tenho andado por aqui pq o PC não deixa, rs
Cada vez que faço um link, congela, e tenho que reiniciar!
Carpe diem!
Beijinhos
Lília
24 de Abril de 2009 13:28
António Gallobar
Meus cumprimentos a você pela belíssima postagem em referencia ao 25 DE ABRIL
Revolução dos Cravos é o nome dado ao golpe de estado militar[1] que derrubou, num só dia, sem grande resistência das forças leais ao governo - que cederam perante a revolta das forças armadas - o regime político que vigorava em Portugal desde 1926. O levantamento, também conhecido pelos portugueses como 25 de Abril, foi conduzido em 1974 pelos oficiais intermédios da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Considera-se, em termos gerais, que esta revolução trouxe a liberdade ao povo português (denominando-se "Dia da Liberdade" o feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução).
Efigênia Coutinho
Luísa disse...

Em nome de Abril, hoje podemos falar, escrever, sentir a liberdade!Não sei se tão livremente como desejado, mas vamos falando!Em nome de Abril, há um olhardeperto que expira a sua opinião para a blogosfera e alimenta a vontade de escrever,escrever,escrever!Um nome de Abril, psso agradecer a visita ao olhardeperto e deixar um beijinho terno!
Serás sempre benvindo!
25 de Abril de 2009 16:15

diana disse...
Caro Antonio,
sono venuta a leger un pò di te, ciò che l' anima tua esprime. bellissimo scritto sul 25 aprile '74. negli anni della formazione per un ragazzo. Il porogallo l' ho sempre conosciuto come un Paese che sta bene, ma sono nata dopo. quanto dolore, miseria, sofferenza per il tuo Portogallo per tanti anni, ma sei stato testimone della liberazione! per noi il 25 aprile è la liberazione dalla seconda guerra mondiale, dal fascismo, anche per voi, ma trent' anni dopo. che l' uomo non dimentichi mai! luminosa e felice giornata a te e ai tuoi cari in questo 1° maggio
1 de Maio de 2009 15:03

O amplexo da alma...


Amplexo da alma


Risos d' alma solitária
Levantam-se na noite escura
Escárnio de infortúnio

Emudeces minha alma
Afasta-te de mim com brandura,
adormece a dor que perdura
e todo o resto se acalma

Fecha os olhos, deixa a alma
Pássaro cruzando montes
Livre sobrevoando horizontes
Mandando seguir em frente

deixa o passado lá atrás
Cheira a mofo certamente,
afinal já tanto faz...
http://gallobar2008.blogspot.com/
Descansa o corpo haja paz
Tudo não passa d' ilusão
Abre as janelas, emudece ais
Sente a brisa, passa e bate
Amplexo da alma se esbate

Quando urge dizer sim,
em vez de ser sempre não

Cala o corpo a razão
a vida não deixará de correr

rio que transborda correrá
ziguezagueante até ao mar
Acalma a dor acalma o olhar
No final a tua obra, tua alma
o teu legado irão continuar a viver 


(Sei que a tua alma sangra, mas não será certamente o fim...)

Porto 17/04/2009
António Gallobar




António Gallobar

A doce melodia da natureza













A doce melodia da natureza




Correm breves as ribeiras, por entre vales e montes
Nascem da terra as flores que enfeitam horizontes
Espraiam-se pelas colinas num suave ondular
num tapete bem verdinho que se estende até ao mar



Enche-se de esperança a vida, que se renova sem par
ouvem-se as passarinhos voando num eterno chilrear
borboletas namorando as flores do meu jardim
o suave perfume que inebria a minha alma sem fim



Ouvem-se as andorinhas, que acabam de chegar
regressam a casa, que desde sempre as espera
É primavera, num eterno enramalhetar.



Corre suave uma brisa, que me deixa meio tonto
sinto os aromas da vida, que corre lesta atrevida
que não pede licença a ninguém, chega e pronto















António Gallobar








Não vale adiar mais
Chegou a hora de partir


Leva na alma o sonho a esperança
Sonhar com um porto seguro
Levando sonhos de criança
Adiados recalcados
Chega!
É hora de partir ou vais continuar a adiar
Vai,
O vento sopra de feição
É preciso dizer não,
Parte sem hesitar
Parte à descoberta sozinho,
Iça a vela, enche o peito
Deixa tudo, larga os teus aliados
Que te prendem pela mão
A tua vida é um barco preso ao cais
E tu ficas ou vais
Larga as amarras as frustrações
Os projectos adiados
Aproveita o vento que sopra
Sente esse espírito aventureiro
Que está dentro do teu sangue
Irá levar-te adiante
Num passo pequeno mas grande
Vamos
Faz o trouxa, ruma a norte
Iça a vela num instante


Não vale adiar mais
Chegou a hora de partir




António Gallobar

saudades de ti






...saudades de ti






Vazio na minha existência perdida
vento que me varreste a alma
numa tempestade de emoções

me deixaste atordoada
quase sem vida vi
que me fugias
fiquei atordoada
dependente e viciada em ti
sem vontade própria
num vazio atroz
numa cama prostrada.

E dúvidas tens?
E ainda perguntas!


Claro que tenho saudades...
do tempo e do momento,
sim tenho saudades...
esqueces que prometes-te vir não vieste...

Tu és a minha insónia
vai-te não quero mais saber
nem de ti,
nem do teu corpo
do teu sorriso
da tua mão
do teu olhar
Não quero nada de nada
farta de acordar de madrugada
gelada...
acabou a angustia
acabou a espera
Chegou o tempo de parar
chegou o tempo de pensar em mim

Será assim?
será que não te sinto "alma minha"
deste barco à deriva
sem saber o que fazer

a tua ausência doi-me
a tua ausencia mata-me

tudo é triste sem te ter
mas será que eu ainda quero

Pressinto que não vens
continuar à espera?
ouvindo risos e desdéns
Quem vai rir no fim
quem irá sentir saudades?

perguntem ao vento
ele responderá...


Vou partir!
Já não te sinto,
não te sinto perto
por isso não te espero
e nen sei se ainda quero!






António Gallobar



Nota:
A inspiração vem de onde menos se espera. Há dias li um texto que falava de saudades e solidão, (por lapso meu de momento não me ocorre o nome da autora), (... melhor assim), esse belo texto me deixou a pensar no que se sofre quando se é abandonado ou trocado por alguém e tal como prometi aqui lhe deixo o poema integral, esperando que a vida se encarregue de sarar as feridas.





Ás vezes é preciso
correr atrás dum sonho,
duma ideia descabida
mergulhar
sem medos e receios (in) justificados
mas nunca,
nunca deixar de tentar
as victórias mais saborosas
são as que dão luta!




A vida que se foi.



Devagar vi a vida que se foi
exangue sem forças resignei
a vida acabou perdendo vigor
uma sombra do que fui, fiquei

Lentamente vi que de mim te afastas
da minha vida do meu ser
renovar a esperança do que era, para quê?
perco a esperança, jamais te irei ter…

E nesta loucura me deito
sonhando na vida que parte
desiludido e desfeito

Mas, ainda sofro, e desespero
ver-te fechar a porta e partir
sem dizer quanto te quero



António Gallobar















As flores da Páscoa

Há uns dias atrás, fui dar um passeio até às minhas origens, o prazer de reencontrar velhos lugares, as pessoas há muito que desapareceram permanecendo apenas dentro do peito e pouco mais… mas as pedras estão lá, as nossas raízes continuam intactas, olhar para os miúdos e tentar perceber de que família são se serão ou não filhos de algum primo afastado, torna-se um exercício inglório apenas restando enfim, caminhar pelos caminhos íngremes de forma quase anónimo não fora o acaso de ter encontrado a Dª Glórinha que de longe me reconheceu como o menino António filho da Maria… depois de lhe contar as novas da Maria propus-me continuar, mas tal só foi possível após lhe prometer que antes de ir embora passaria lá por casa para levar um garrafãozinho que dizia ser muito bom e o pãozinho que eu tanto gosto de broa de milho feita em casa.
Voltei ao passeio, esquecendo rapidamente o encontro, procurei no bolso uns óculos sol escuros de preferência e partir na peregrinação aos locais sagrados, sentir a frescura da manhã, o cantar das aves que alegremente me acompanharam naquela alegre caminhada, até o toque do martelo do ferreiro há muito se calou me pareceu de repente ouvir ao voltar numa vereda, permanecia bem audível dentro da minha cabeça aquele som batendo na bigorna com o som se prolongando até nova batida, afinal era apenas ilusão. Parti novamente á descoberta pelos campos, por entre pinheiros, penedos e através dos muitos carreiros de cabras, descer e voltar subir até ao ponto mais alto, desta vez sem ver viva alma e subir ao velhinho Castelo que lá permanece como símbolo de resistência encerrando lendas maravilhosas que minha avó me contara, à lareira à luz do candeeiro de petróleo, ainda não havia naquele tempo luz eléctrica, sentado no preguiceiro as ouvia embevecido e muito admirado com as histórias das moiras encantadas que lá permaneciam ainda.
Do Castelo poder olhar em redor e ver que muito pouco mudou, apesar deste mundo se encontrar em constantes alterações é muito bom sentir que o nosso canto permanece quase que parado no tempo. Olhar lá de cima e reconhecer os cantos mais longínquos e ver até onde a vista alcança até se perder para lá dos montes.
Com a máquina fotográfica ao peito para poder registar, não resisti a fazer algumas fotos, que hoje resolvi partilhar com todos vocês. De todas as fotografias as Glicínias, despertaram em mim um turbilhão de emoções que me trouxeram sensações maravilhosas, lembranças esquecidas, que de repente me vieram à cabeça quando ao voltar da esquina me fui deparando com elas, singelas mas muito belas estes flores, dependuradas nas sebes, nos muros dos caminhos, um
pouco por todo o lado espalhando magia e encanto,
e foi sem surpresa que acabei sendo assaltado pelas lembranças daquele lugar maravilhoso onde
outrora corri atrás de sonhos e aventuras, e me devolveram pessoas e tempo há muito esquecidas. O cheiro da terra, mas foi sobretudo as fragrâncias destas flores que fizeram despertar esses sentimentos, aquelas recordações que moram no fundo da nossa memória e que despertaram de forma quase inconsciente, sentindo o aroma da saudade, da aldeia natal, da “nossa” terra, num colorido exuberante e único.
Vêm tudo à cabeça as memórias da infância, quando era um menino e ia passar as férias da Pascoa à casa da minha avó a Celorico de Basto, ao ver tão bela explosão de cor e de vida não quis deixar de partilhar isso com todos vocês. Para mim estas belas flores nunca serão Glicínias onde ser sempre as minhas “flores da Pascoa”.

António Gallobar


ALMA MINHA AQUI ME ENCONTRO
Antonio Gallobar


Perdido nesta noite de breu
Nas brumas e no luar escondido
Sôfrego e exausto a morrer
Perdido na multidão
Imensidão dos dias
Perdido sem te ver
Cansado por esperar o sinal que não vem
Abri as minhas asas
Levantei voo e voei…

Tenho saudades do tempo
Em que bebi sôfrego a ternura dos teus lábios
Do teu mel
da tua alma apaixonada
Afinal o que sabes?
é pouco mais que nada
na montanha dos dias vazios
desta vida solitária
onde os dias se arrastam
e o sonho me acompanha nesta duvida
do que quero do que sou
do quero afinal
descansa alma perturbada
afinal, já bebi da ternura dos teus beijos
Posso morrer, pouco importa